Com o regresso das vindimas, o jazz volta a merecer lugar de destaque no Douro e em Trás-os-Montes, resultado da ligação estabelecida desde 2004 entre o Festival Internacional Douro Jazz e a região demarcada mais antiga do mundo. Aliando-se ao espírito festivo das vindimas, com uma estética musical apurada como os melhores vinhos, o festival procura marcar o calendário da região e do país com a ajuda de artistas de grande qualidade, alguns de renome internacional.
A edição de 2007 do Douro Jazz realiza-se em cinco localidades, estendendo-se um pouco por toda a geografia transmontano-duriense. Aos parceiros habituais (o Teatro de Vila Real, o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e a Associação Chaves Viva), juntam-se este ano o Teatro Municipal de Bragança e o município duriense de São João da Pesqueira. São 37 concertos repartidos por cinco palcos.
Nesta quarta edição do festival, impõe-se destacar dois nomes míticos do jazz mundial: Donald Harrison e Billy Cobham.
Donald Harrison, vencedor de dois Grammys, é tido como um dos maiores improvisadores do jazz actual. Nos concertos que integram o Douro Jazz, o saxofonista americano partilha o palco com um quarteto de conhecidos músicos portugueses, com os quais gravará um CD.
O lendário baterista Billy Cobham, que faz já parte da história da música, fechará o festival através de um concerto único no nosso país. Com um estilo inigualável, tocou ao longo do seu percurso com artistas como Miles Davis, John McLaughlin, George Benson e Herbie Hancock, entre muitos outros.
O jovem guitarrista brasileiro Diego Figueiredo percorrerá os palcos do Douro Jazz em trio, depois de, já este Verão, ter sido segundo classificado no Guitar Competition, no âmbito de um dos maiores eventos internacionais de jazz: o Festival de Montreux, na Suíça.
A Espanha faz-se representar com duas importantes formações de veteranos da cena madrilena. Os Clear & Better Swingers propõem um passeio pelos anos dourados do jazz — a era swing —, com temas de compositores e músicos lendários como Count Basie, Cole Porter e Duke Ellington. Javier Arroyo y El Lusitania Jazz Machine utilizam a música popular ibérica e os sons de África e da América Latina como fontes revitalizadoras que abrem caminho à sua inspiração jazzística.
Paralelamente, artistas como os Desbundixie (Portugal), Edu Miranda Trio (Brasil), Bossa In Jazz (Brasil) e Gustavo Rivero y su Quinteto (Cuba) acrescentarão ao festival notas de variantes divertidas e festivas, como o dixieland, o chorinho, a bossa nova, ou os ritmos latinos.
Tal como em edições anteriores, a programação do festival integra um conjunto de actividades complementares, procurando cruzar e consolidar públicos diversos. Neste contexto, decorre a 22 de Setembro o lançamento do vinho “Douro Jazz”, colheita de 2006. A 1 de Outubro, Dia Mundial da Música, tem lugar a realização de um workshop de guitarra jazz, orientado por Artur Caldeira. Finalmente, a 20 de Outubro é lançado o livro Terra Sem Coroa, do poeta Manuel de Freitas, decorrendo ainda a acção promocional “Portonic”, organizada no Teatro de Vila Real pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto.